Mundo JP - Falar e escrever japonês

Falar e escrever são importantes no aprendizado de idiomas?

Aqui no Mundo JP, nós estamos muito mais preocupados em trazer conteúdo de qualidade para que você possa inserir nos seus estudos, aumentar o seu vocabulário e até mesmo adicionar nossas sentenças em um sistema de repetição espaçada, como o Anki.

Mas isso não é coincidência, utilizamos um método que estimula a entrada de informação (chamaremos de input) enquanto desestimulamos atividades que são comuns em escolas, porém improdutivas, como escrever, copiar textos ou atividades que envolvam a fala (chamaremos de output).

Mundo JP - Escrever e falar Japonês

Lembro bem, da primeira vez que fui a uma escola de idiomas, era uma escola de inglês dessas famosas que existem por aí e que dizem sempre ter um método inovador e diferente das outras (mas na verdade são todas iguais).
E logo na primeira aula, após aprender um número mínimo de palavras, o professor já lhe entrega atividades para você responder perguntas, produzir textos e a pior de todas, falar em grupo, formar frases que eu nunca ouvi ninguém falar até então.

Isso deve-se a um entendimento totalmente errado e equivocado que com certeza, nunca ensinaram na escola. Quando alguém sabe um idioma, ele diz, por exemplo: “Eu falo japonês”. Isso já ferrou tudo, porque entendemos que saber uma língua deve-se exclusivamente a capacidade de falar. Se você não fala japonês, você não sabe japonês. E se alguém diz: “Eu entendo japonês, mas ainda não consigo conversar”, você já imagina que essa pessoa é uma idiota que não sabe o que está fazendo, porque como é possível alguém entender uma língua mas não sabe falar?
Isso aplica-se à prática de ler e escrever, e em uma escola de japonês isso é ainda pior, já que somos ensinados a escrever diversas vezes o mesmo kanji.

Graças a isso, o que as escolas fazem? Se esforçam em inventar atividades que te façam escrever e falar, e isso é notório desde o 1º dia.

Mundo JP - Escrever e falar Japonês

E claro, os alunos adoram, porque pelo senso comum, se você quer aprender um idioma, obviamente quer falar, e quanto mais você falar e escrever, maior a sensação de aprendizado.
Mas na prática não é assim. Aprender falas prontas e artificialmente criadas não são o suficiente para uma boa comunicação. O às da comunicação é a compreensão. Mesmo que você não saiba se expressar perfeitamente ainda, compreender o que foi dito ou o que foi lido é muito mais importante e produtivo. E não estou falando em compreender o porquê do verbo ter sido conjugado daquela forma, o porquê de cada partícula que foi pronunciada ou ainda a etimologia das palavras, e como escrever os kanjis. Compreender é simplesmente entender o que foi dito, a intenção do autor ou do locutor.
Imagine que você viveu uma situação, seja no Japão, em um vídeo na internet etc e ouviu diversas vezes a frase 何やってんだ (nani yattenda) e mesmo que você não saiba o significado dela, você decorou a frase de tanto ouvir, e pelos contextos que ela foi usada você pode concluir mais ou menos o significado dela, já que sempre que ela era usada a outra pessoa dizia o que estava fazendo. Por curiosidade você vai a um tradutor ou pergunta a algum amigo e ele lhe diz o significado: “O que você tá fazendo”?

Nesse momento você aprendeu de uma forma muito mais natural e dificilmente vá esquecer, além de conseguir identificar rapidamente a mesma frase em outros contextos. Se alguém te fazer essa pergunta, você saberá o que ele quer saber e assim poderá tentar responder.

Por outro lado, se você ficar pensando que esse o verbo やる que está na forma “te”, que está faltando o no final da frase já que é uma pergunta, tentando entender onde está o です e de onde veio aquele んだ….. Nesse ponto já acabou a conversa, pois você não entendeu a pergunta.
 

Input & Output e o xixi

Vou usar um exemplo que vi uma vez e o qual achei bem didático. Quando que uma pessoa faz xixi? Ora, é simplesmente um processo natural de excreção de líquido pelo nosso sistema urinário. Se bebermos muita água, cedo ou tarde teremos vontade de ir ao banheiro.
E o que isso tem a ver com input e o output? Tudo! O input é a ingestão de líquido e o output é o xixi. Quanto mais recebemos input, mais propensos estamos à ir ao banheiro. Se não há input, o output não acontece, você não irá ao banheiro se não beber nada. No aprendizado de qualquer idioma é a mesma coisa. Como é possível falar e escrever (output) se você não lê ou ouve (input)?
 

No aprendizado de línguas nada se cria, tudo se copia

Não só em uma língua estrangeira, mas até mesmo na sua língua materna, você quando criança, aprendeu ouvindo diversas coisas, como a conversa de seus pais, os programas de TV, as pessoas nas ruas, etc. Não há como escrever algo que nunca leu ou ouviu. E se tentar fazê-lo, estará criando (e provavelmente estará errado)
 

Então atividades que estimulam output são desnecessárias?

Elas são necessárias, mas no momento certo. E o momento certo não é no começo do aprendizado. Quando você tenta escrever ou falar, provavelmente sente uma dificuldade terrível, isto acontece porque não houve input o suficiente para que possa acontecer o output.

Por outro lado, quando você deixa essa atividade para quando já está em um nível avançado, é muito melhor. As palavras e as estruturas das frases vêm com maior facilidade na sua cabeça porque você já viu elas em algum lugar, seja uma notícia que você leu, um vídeo no qual um nativo usou a mesma frase, etc.

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